Um plano global inovador para proteger a biodiversidade microbiana é lançado pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) em novembro de 2025, elevando esses organismos invisíveis ao status de prioridade conservacionista. O Microbial Conservation Specialist Group (MCSG), o primeiro grupo dedicado exclusivamente a micróbios na Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, mapeia hotspots microbianos em solos, oceanos, rios e hospedeiros biológicos, desenvolvendo critérios para a Lista Vermelha de micróbios ameaçados e integrando indicadores microbianos às metas de biodiversidade da ONU até 2030. Liderado por Jack Gilbert da Applied Microbiology International, o plano testa intervenções como bioremediação microbiana para solos contaminados, probióticos para recifes de corais em declínio e restauração de comunidades microbianas em solos agrícolas para sequestro de carbono. Micróbios, representando 99% da biodiversidade viva na Terra, impulsionam ciclos de nutrientes essenciais, fertilidade do solo, regulação climática através da decomposição de metano e até a saúde humana via microbioma intestinal – sem eles, ecossistemas colapsariam, levando a fome global e instabilidade climática. Essa iniciativa eleva micróbios ao mesmo patamar de plantas e animais na agenda conservacionista, combatendo perdas aceleradas por mudanças climáticas, poluição química e uso excessivo de antibióticos. Como Gilbert afirma: “Essa é a coalizão global para salvaguardar a base invisível da vida”. No entanto, o desafio reside no financiamento escasso e na literacia pública limitada, tornando o invisível visível em políticas que evitam ignorar o microscópico em prol do macro. Esse plano não só protege; provoca uma reflexão: em um mundo interconectado, negligenciar micróbios é negligenciar nossa própria sobrevivência.
